sexta-feira, 9 de agosto de 2013

caixa-flores

despetalam floresceres
e ser girassol solto se tornou muito pouco
porque agora são requeridos jardins inteiros
e não cabe mais ser só um
nem ser só mais um

é estação de germinarmos em muitos
pra nos sermos e sermos o outro
e nos semearmos em trigo
nos fazermos tenro alimento
pras bocas e almas famélicas
de sentimentos do mundo

é verídico
não se permitirá protelamento
é instante oportuno e preciso
de derrubar as cercas
o que nos reprime de ser
sobreviver não é o bastante

pois se pequeninos que somos
não nos contentamos em migalhas
e queremos a vida bem grande
e deixamos em clarividência:
não nos abriremos a negociatas
nem queremos pagamentos
em boletos cheques duplicatas
só consideramos um tipo de papel valoroso:
os que se escrevem poesias

a paixão não é mais barata que cifrões
e se um abraço é mais caro que o ouro
os beijos tem mais utilidade pública que bancos

a plenitude humana não se pega em empréstimo

pois é amor o que se faz teimosia do povo
de não se deixar ir ao abate
e de persistir em esperanças
e reivindicar não apenas existência
e os sábios já declaravam
é o dinheiro o que só traz a miséria
e queremos mais sonhos nos bolsos

quarta-feira, 24 de abril de 2013


te amo em valor de três tostões
talvez um pouco menos
mas é o que tenho no bolso
pra valer o meu almoço
e meus risos embotados
pra passar dias inúteis

não!
que não me pense em avareza
pois é que tenho quase nada
só mesmo estas moedas
e paixão velha sequestrada

pois é!
eu ando mesmo é muito roto
e fuço bolsos em querença
por enxada que roça solidão
que brotará em trigo vinho e cordeiro
pra meu incendiário coração