sábado, 25 de abril de 2009

Interditado !

Por período indeterminado...

Motivo: pc roubado . =\

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Nossa relação com o passado...

Uma cidade sem passado
Assisti neste final de semana, por acaso, um filme que me chamou bastante a atenção. Chama-se: “Uma cidade sem passado” [mais detalhes aqui]. É uma produção alemã do início dos anos 90 e que é um misto de comédia, drama e documentário.
Vou resumir a historinha dele...
Uma garota de uma pequena cidade da Alemanha Ocidental é convidada a participar de um concurso de redação. Dentre os dois temas propostos ela decide pelo seguinte: “Minha cidade durante o III Reich”. O que ela queria com isso? Provar que a igreja se manteve íntegra durante o nazismo.
Porém já nos seus primeiros esforços para fazer a pesquisa, ela verifica que não é bem assim e que as pessoas não queriam que ela ficasse revirando coisas daquele período.
O que ocorria era que muita gente esteve envolvida com o regime e essas pessoas faziam questão de não serem mais associadas àquilo. Além de tudo havia a construção de uma imagem contraditória da cidade como um foco de resistência.
Era um passado convenientemente esquecível, não só para aqueles que se envergonhavam de suas ações, mas também para seus amigos, suas famílias e todas as pessoas ligadas a ele de alguma forma... Era enfim uma ferida não só de uns e outros, mas de um povo. E remexê-la não era de nenhum modo indolor.
Agora imagine só quantas coisas permanecem ocultas e sequer sabemos? Elas não entraram nos livros de história, não são revividas nas comemorações cívicas, não fazem parte da memória popular.
Talvez por aí, dentre outras coisas, tenha se cristalizado essa concepção de que somos seres passivos e de que não podemos mudar a realidade.
Fazer-nos acreditar que é assim. É o objetivo daqueles para quem é cômoda a atual situação! Brecht, em seus poemas já ressaltava isso...
Creio, no entanto, que esse é o principal compromisso da história hoje em dia: enxergar as contradições do passado, mesmo quando nos obrigarem a usar lentes escuras e embaçadas. Mas há de se convir que quem fecha os olhos por vontade própria, sequer enxergará o óbvio, mesmo que esteja a poucos centímetros de si...

terça-feira, 21 de abril de 2009

Liberdade alucinógena .

drugs

Créditos pela imagem: Ditch the Kitsch!!

- E agora eu vejo tudo da forma que sempre quis ver. As árvores realmente têm vida e posso ouvir e ver suas enormes bocas se revelando no meio de suas copas e soltando as mais alegres gargalhadas, que ser humano algum poderia fazer igual. O céu tem mais cores! E tantas que eu mal poderia enumerar... Só o azul tem tonalidades tão diversas, que a maioria jamais eu vi. Eu posso enfim sentir a alma das pessoas, desnudar suas mentes e compreender o incompreensível.

Eram essas palavras que Marcos costumava dizer após se drogar, ou seja, cerca de quatro vezes por dia. Acreditava que elas aumentavam sua percepção e que a partir disso estaria mais perto de desnudar todos os mistérios do universo que os caretas jamais saberiam.

Quando estava sob o efeito dos alucinógenos não havia problemas. Tudo era um grande paraíso do incomum, onde o inusitado era sempre fantástico e maravilhoso. Ali não havia contas atrasadas, não havia hipocrisia e tudo era mais belo. Em vez dos tons de cinza da cidade, tudo ao se redor se transmutava em uma beleza quase inimaginável. Tudo era uma mescla de naturalidade, encanto, pureza e encanto. As samambaias pareciam brotar junto aos raios de sol e toda a sujeira teria se desmaterializado para outro plano do universo.

Nesse seu mundo não existiam políticos corruptos e carniceiros. Aliás, sequer havia governantes. As pessoas andavam nuas pelas ruas e o amor era livre. Não existia o pecado.

O sexo era sempre entrega daqueles que o praticavam. Era pureza em essência e forma bruta até mesmo nas orgias. Tampouco existia violência, trapaça, cobiça ou inveja. Todos se respeitavam e se compreendiam. Fazia-se assim o mundo que sempre quis da forma que sempre concebeu em sua mente.

Mas logo os efeitos das drogas passavam e mais uma vez Marcos tinha que voltar para a realidade, onde tudo era mais bruto e rígido. Ali não havia lugar para essas utopias malucas que só realizam numa mente alucinada.

Logo, a única solução era tomar mais alguma dose. Mas não havia dinheiro.

O que fazer? Era preciso conseguir mais. Era preciso voltar para o mundo que sempre quis. – Não! Me poupem, malditos! Desliguem esse barulho! Abaixem o volume, seus desgraçados! – Era o que gritava desesperadamente da janela de seu apartamento no quinto andar aos carros que trafegavam a famosa e movimentada avenida, na qual estava localizado seu prédio.

Logo, se derramava em lágrimas. Precisava sair daquilo. O que fazer? Talvez algum furto resolvesse a questão. Talvez vender drogas também fosse, mas não confiava em si mesmo para isso. Tinha medo de comprar e acabar as consumindo ou dando boa parte para os amigos.

Quem sabe então se prostituir? Não se achava feio. Bem que poderia ganhar alguma grana como gigolô, pensava.

Porém, a despeito do fato de que sua casa não tivesse mais muita coisa, ainda possuía uma televisão. Poderia vendê-la e adiar um pouco esses seus planos apesar, que em seu íntimo soubesse que uma hora ou outra teria que ceder ao roubo, ao tráfico ou à prostituição. Quando refletia sobre aquilo parecia tudo muito caro e a incerteza lhe tomava. Será que valeria a pena?

Só que embrança daquele mundo louco e belo lhe tomava de assalto.

- Claro que valeria! E valeria muito! O que importava era fugir daquilo para se tornar outra vez.

E assim saiu apressado para vender o aparelho e um ferro de passar que era presente de sua mãe. Nem lhe servia para muita coisa mesmo. – pensava. E então dizia para si mesmo:

- Afinal de contas, eu gosto de roupas amarrotadas! Não é mesmo! Não é mesmo! De que me importa o que os engomadinhos vão pensar!? Eu não me visto elegantemente, mas sou mais vivo que eles. E não tenho correntes em meu corpo! Minha áurea é tão intensa quanto a mais pura água cristalina que à noite é cortada por raios do luar!

Logo saía do apartamento rumo a uma praça onde costumavam comprar esses objetos usados. Conseguiu vendê-los rapidamente e por um bom preço. Saiu então em direção à casa de um traficante que era de sua confiança para que pudesse comprar o que tanto queria.

Agora poderia mais uma vez se libertar. Isto é, pelo menos até lá pelo meio da semana, quando o dinheiro e as drogas viessem a acabar de novo...

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domingo, 19 de abril de 2009

Velharia da Semana #8 . (MC5 - Kick Out The Jams - 1969)

mc5kickoutthejams
Se tem uma banda dos anos 60 que conheço e que destoa de praticamente de todas as outras da década, certamente é o MC5.
Em tempos psicodélicos e de músicas viajantes e alucinadas, os caras faziam um som mais cru e bastante agressivo. Tanto é que alguns a classificam como proto-punk (algo como um antecedente do punk-rock) e outros a concebem como uma das bandas cujo som deu origem ao Metal.
Sobre isso, o vocalista Rob Tyner, os definiu muito bem certa vez: "fomos punks antes dos punks, new wave antes da new wave, metal antes do metal e MC antes do Hammer surgir".
Muito se fala também da postura política do grupo, que foi bastante perseguido pela polícia por conta disso. Mas o mais certo é que eles acabaram se envolvendo em tais questões, devido à influência de John Sinclair, que viria a se tornar empresário dos caras. Sinclair foi, entre outras coisas, o fundador dos White Panthers, um movimento inspirado nos Panteras Negras (Vale ressaltar que não era um grupo racista, eles apenas copiavam algo da forma de organização dos Black Panthers. O que queriam era simplesmente mais liberdade numa forma que muitos julgariam como radical e que se reflete no seu lema "Rock’n’Roll, Dope and Fucking in the Street").
De início, o interesse dos MC5 nada mais era que fazer um som que lembrasse os motores das corridas que ocorriam em Detroit, cidade estadunidense famosa pelas montadoras automobilísticas. O próprio significado da sigla que dá o nome da banda é uma referência à cidade dos motores: Motor City Five.
Mas indo ao que interessa, o álbum que sugiro aqui hoje é o Kick out the Jams [tracklist aqui], que mostra a banda na forma que os caras mais curtiam tocar: se apresentando num show lotado. A música que dá o nome ao disco é um clássico, sendo regravada por bandas mais atuais como Peal Jam e Rage Against The Machine (versão bem legal desta última inclusive).
Ouça Kick Out the Jams
Além dela, outras faixas são bem interessantes como Starship (criada em conjunto com o jazzista Sun Ra) e Ramblin' Rose.
Bom, acho que vale a pena conhecer, principalmente para quem curte algo de punk-rock ou um som mais sujo...
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Fatos, ressalvas e blá, blá, blá.
- Estou lendo uma HQ bem legal e gostaria de indicar, apesar de que alguns devem conhecer. Chama-se Camelot 3000. Coisa fantástica que mistura a lenda do Rei Arthur, alienígenas, visão de um futuro sombrio para a humanidade, belos desenhos e crítica à sociedade e à política. Talvez quando acabar venha a criar uma postagem sobre ela de uma maneira mais detalhada.
- Bah, é domingo. Acho que estou com a mente meio lerda. Nem tenho muito o que dizer aqui. Sorte de vocês que vou poupá-los de minhas bizarrices. Até a próxima postagem. Abraços!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Duas-Caras .

Lembro-me do dia que ganhei uma revista de quadrinhos que me deixou com bastante medo. Era uma edição de Batman Anual da Editora Abril. Havia três histórias, se não me engaduas-caras_msn1no, e confesso que pela idade (eu tinha uns dez anos) eu não entendi muito bem todas. Principalmente uma que falava sobre o Morcego na Rússia. Àquela época eu não tinha uma ideia do que seria aquela tal URSS que recentemente havia deixado de ser (pelo menos se dizia) um Estado comunista, aliás, é bem capaz que sequer eu soubesse o que era comunismo.

Uma delas, no entanto, havia me deixado profundamente aterrorizado durante muitas de minhas noites. Mais até do que uma capa de uma revista do Fantasma que tinha duas caveiras com diamantes no lugar onde um vivo teria os olhos.

Mas voltando ao que me propus a falar aqui, era aquela uma história que contava a origem de Duas-Caras. Este que figura no rol dos principais inimigos de Batman.

Ao ler aquelas páginas senti medos diferentes. A primeira foi ao ver a face de Harvey Dent (o promotor público que se tornaria o vilão) ser deformada por ácido.

Harvey no decorrer da história ainda não era Duas-Caras. Isso se daria quando finalmente assumisse a outra personalidade oculta dentro de si mesmo.

Quando cheguei ao ponto onde isso ocorria me senti fascinado. Não sei se entendia muito bem qual era a daquele personagem que deixava exposto da forma mais evidente o possível o contraste entre seu lado bom e seu lado mal. Mas reafirmo que achava admirável àquilo.

Hoje, quando aqui me recordo, do alto da confusão de minhas lembranças tenho um parecer que ele lidava com isso de um modo também contraditório para a luta que vivia em seu interior. Pois se para muitos, seu distúrbio poderia ser caracterizado como uma constante violência psicológica para consigo mesmo, por outro lado, ele se utilizava de uma resolução bem objetiva para esse conflito: a própria sorte.

Era lançando ao ar a moeda de duas caras com um dos lados riscados, único presente dado pelo pai, alcoólatra e violento, que decidia a vontade de qual dos seus “eus” que deveria prevalecer. Sei que não decidimos o que fazer em nossas vidas necessariamente deste modo, mas por outro lado, acho que constantemente somos obrigados a reprimir uma boa parte de nossos desejos.

E isso se revela, por exemplo, quando nos sentimos incompreendidos por todos. Afinal, num mundo onde as normas, costumes e instituições definem o que podemos ser, não é incomum se sentir desamparado por nunca se poder ser o que de fato se é.

Mas voltando ao Duas-Caras, creio ainda que ele é ainda um exagero proposital do que seria o maniqueísmo para que ao mesmo tempo este seja negado numa análise mais aprofundada.

Como ele também não somos de todo bons ou maus. Acho que nossos sentimentos não se reduzem a essa perspectiva simplificada. Até porque o que tomamos como “bem” ou “mal” nada mais é que definições que foram se articulando a partir de conceituações dadas por pessoas tão humanas e imperfeitas como qualquer um de nós. E obviamente, se nos lançarmos a uma pesquisa sobre tais termos veremos que eles constantemente foram se ajustando em situações específicas, de acordo com interesses daqueles que estavam no comando de governos, religiões ou em acordo com as necessidades das diversas sociedades.

Não nego que existem atitudes consideradas “boas” ou “más”. Porém pergunto: como assim foram definidas?

Acredito que em alguns casos como necessidade da própria espécie humana, como por exemplo, a rejeição ao homicídio dentro da vida civil. Em outros, devido a identificações culturais, tais como algumas das restrições religiosas. Porém, o tipo mais questionável e muitas vezes perverso é aquele se dá por meio político e / ou ideológico e que serve como instrumento de consolidação do poder.

Isso se vê na atribuição de imagens maléficas para aqueles que manifestam algum tipo de objeção divergente. Cito neste caso, a construção do árabe como inimigo da civilização ocidental, o que é de uma arbitrariedade estúpida. Quem disse que nossa forma de compreender o que é civilização é ideal a todo o mundo? Por sua vez, se os países “civilizadores” tivessem um respeito maior pela diversidade cultural, além de não tentarem garantir a qualquer custo sua lucratividade no Oriente, o mundo não seria um lugar de mais paz?

Freud supunha que todos temos algo de perverso. Porém, não é preciso pensar muito para verificarmos que se manifestássemos essa perversidade a todo instante a vida em sociedade seria impossível. Já pensou se não resistíssemos a nossas pulsões sexuais e a saciássemos quando bem nos conviesse? Ou ainda, se sempre agredíssemos alguém quando sentimos raiva?

Enfim, se existe, prefiro pensar que a bondade resida nestes termos: a capacidade de melhor nos relacionarmos e nos solidarizarmos com os outros e na consequente compreensão de que somos integrantes de uma coletividade. Coisas que são bem difíceis numa sociedade tão individualista e que as pessoas mal compreendem a si próprias. Além do que, se assim ficamos, nos afundamos ainda mais nessa contradição e estranhamento de nossos “eus” e com o que definem como “mau” e “bom”. Sem nunca nos atentarmos que tudo isso nos compõe e nenhuma dessas facetas se cliva ou se exclui.

Talvez ter esse entendimento sirva para que não nos tornemos Duas-Caras enrustidos...

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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Selos #3 . (E divulgação do blog Sacadas do JP)

Pois é, hoje eu vim aqui para colocar em dia os selos recebidos. Além disso gostaria de divulgar o trabalho de meu amigo JP. Há algum tempo ele vêm realizando um trabalho muito legal como cartunista e agora está começando com as animações.

Se puder, dê uma passadinha para prestigiar o trabalho do cara. Ele merece. Deixo um vídeo que ele criou recentemente como amostra.

 
 
Vamos agora aos Selos.
 
 

blogcoruja-ingrid_nat

O primeiro recebido foi presente da minha querida amiga Nat Valarini do Garota Pendurada e da Ingrid do Guia de Bolso, que também é um blog muito interessante.

Indico os seguintes blogs para este selo:

- Sacadas do JP

- Pra Ler no Banheiro

- O Livro que Quero Escrever

- Jornal da Lua

- Cólica Mental

 

 

conectou_elaine O segundo foi oferecido pela Elaine, que tem um blog excelente e recomendo a todos.

Indicados para este selo:

- Guia de Bolso

- Viraletras

- Exoticlic

- 01Brainstorn

- Espelho Inverso

 

 

 

Manifesto (william_viraletrasO terceiro selo veio do William Lial, que é um grande escritor, e também da Jô do Viraletras, outro blog que certamente merece uma visita.

Ah... Tenho que dizer que adorei este selo. Pow, até que enfim alguém reconheceu que eu penso! haha! Zoeira! Os indicados:

- Garota Pendurada

- Blog do Delemon

- Picks NikelOdeon

- Opinião Inútil

- Misturando Tudo

 

 

O selo a seguir também foi presenteado pela Jô do Viraletras.

dardos_viraletras

Indico os seguintes blogs:

- X - Fonte

- Beleza no Imperfeito

- Artista de Mim

- Rock de Paixão

- O pequeno Blog dos Horrores

 

 

O quinto selo também é presente do Viraletras. Este selo tem umas regrinhas. Dizer  situações que você se enquadra nos Sete Pecados Capitais, além de indicar, linkar e avisar 8 blogs.

selopecadoscapitais_viraletras

Inveja: Acho que quando alguém se demonstra mais inteligente que eu. Ou seja, a toda hora e com várias pessoas.

Ira: Quando alguém faz hora com minha cara.

Vaidade: Acho que sou vaidoso com relação a qualquer coisa que produzo.

Gula: Pizza (sem carne, claro). Creme de leite com achocolatado. :p

Preguiça: Todos os dias após o almoço.

Avareza: Não gosto de emprestar coisas que utilizo com frequência. Pen-drive por exemplo.

Luxúria: Segredo . Mas é bem frequente. :)

Indico os seguintes blogs:

- Gritos Verticais

- Moça do Fio

- Meu Infinito Compartilhado

- Rockriot

- Clara Luz do Meu Pensar

- Blueberry Lover

- William Lial

- Gothic Poesia.

O último selo foi também presente da Nat do Garota Pendurada.

coração de tinta_nat_

 

Para ele indico:

- Abóboras ao Vento

- Lokytrp

- Professora Elaine

- Cristiane Marino

- Fio de Ariadne

 

 

E mais uma vez muito obrigado a todos pelas indicações! Um forte abraço!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O Planeta Arret .

florestafogo

Créditos pela Imagem: ElissaMeyers

Era uma vez um planetinha azul chamado Arret.

Arret era o único ponto do Sistema Ralos que se podia ter certeza que existia alguma forma de vida. Era ainda um lugar cheio de riquezas naturais e seus nativos podiam tirar de seu solo e suas águas tudo o que necessitavam para viver.

O problema é que retiravam o que bem entendiam e não se preocupavam se esses recursos poderiam se esgotar um dia. Os arretáqueos ainda viviam em guerra, pois o planeta era divido por comunidades e, por sua vez, cada uma destas se localizava em territórios distintos, o que fazia que nem todos tivessem o que necessitavam para vida individual e em sociedade.

Era evidente o contraste entre as comunidades do Norte e do Sul. As do Norte eram geralmente muito pobres e contrastavam com a riqueza das sulinas. E isso se agravava, pois existia um sistema econômico que beneficiava as comunidades do Sul, que sempre conseguiam ganhar em cima do Norte, mesmo que esse último fosse um lugar onde haviam mais recursos hídricos, matérias primas e até mesmo um óleo natural, chamado otrópleo, de onde saíam os principais combustíveis.

Existiam ainda muitos choques culturais, e quase nenhum respeito pela diversidade. Havia, por exemplo, uma comunidade sulina chamada Estados Unificados da Acirema, que pouco respeitavam as crenças religiosas e costumes dos países do Oeste. Sempre estavam prontos a se intrometer nos assuntos internos, muitas vezes com a conivência de órgãos tais como a OCU – Organização das Comunidades Unidas, que dentre suas responsabilidades estava a de zelar pela paz do planeta.

Os EUA, através de seus líderes, sempre usavam o pretexto de estarem defendendo os ideais de liberdade uniformizatória orientais. O que poderia ser compreendido nas entrelinhas como: “impedir que os bárbaros destruam a cultura hegemônica do Oeste”. Mas qualquer um que entendia um pouco mais de política sabia muito bem que o que queriam era ter controle sobre aquela região tão rica naturalmente.

Ocorria ainda que a cultura sul-oriental era muito predatória. As pessoas só queriam saber de consumir e consumir. E obviamente, um dia os recursos de Arret iriam acabar por conta dessa farra.

Logo, logo os líderes mundiais, a imprensa, empresas e outras organizações começaram a se dar conta disso. Foram feitas então várias campanhas que pregavam que as pessoas deveriam ter uma maior consciência ambiental para que a vida no planeta pudesse se prolongar.

Só que quando enfim enxergaram essa necessidade, as coisas já estavam num caminho em que havia poucas condições de contornar esses problemas. Em menos de cinqüenta anos o planeta já estava fadado à extinção total. Na melhor das hipóteses, alguns poucos pontos poderiam ser salvos. Dependia, logicamente, do fato de que esses lugares teriam tido uma menor expropriação de seus bens ambientais.

Como o Norte-Ocidental era uma região ainda cheia de recursos, a despeito da exploração desenfreada dos sulorientais, estes últimos começaram a realizar grandes correntes migratórias para lá. De início, as comunidades norteocidentais os receberam de portas abertas, mas com o tempo, em vista da impossibilidade de que todas aquelas pessoas pudessem ali se estabelecer, isso começou a se dar com uma série de restrições.

Como a situação era cada vez mais caótica, os líderes das comunidades do Sul, começaram a crer que era necessário tomar para si a autoridade sobre o Norte-Ocidente. Sob tais texturas foi que se deu a 5.ª Grande Guerra Arretana, que foi a pior que já se viu em todo universo.

O pior de tudo é que aquilo só serviu para dizimar mais rapidamente quase toda a vida do planeta Arret. Os poucos que ainda lá sobrevivem estão doentes e sua morte pode se dar a qualquer momento.

E apesar de a maré ir para um rumo que não é o mesmo que querem ir, eles ainda parecem acreditar que poderão se salvar, apesar de tanta coisa tornar isso inviável e quase impossível. Isso nos faz indagar algumas coisas. Será que existe alguma chance para eles? Será que eles podem construir ali um novo mundo, apesar de só restarem ruínas e cinzas ali?

Sinceramente, acho que não, mas aqueles derradeiros arretáqueos só ainda se mantêm erguidos por acreditarem que sim.



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O planet Arret . by Diego? Glommer? is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
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Fatos, ressalvas e blá, blá, blá.

- Qualquer semelhança desse conto com a história de um outro planeta, NÃO é mera coincidência. :p

- Estou em dias inspirados. Está saindo tanta coisa de minha mente, que mal consigo escrever tudo que surge nela. Tá certo que nem tudo é algo que preste, mas pelo menos pratico a escrita com isso.

- Sobre selos: Vou dar um jeito de colocar eles em dia esta semana. xD

- Pegar ônibus em Uberlândia é um saco. Fato! Aliás, em qualquer lugar é.

- Cada um de meus dias deveria ter umas quarenta e oito horas. Mas isso também só funcionaria se as coisas que já faço se mantivessem com os períodos iguais (Só que tenho certeza, que se assim fosse dariam um jeito de fazer com que a gente tivesse que trabalhar mais). Enfim, mesmo estudando História, que é algo em que o tempo é fundamental, tenho de convir que ele é algo maldito. Isto é, pelo menos na perspectiva que a gente é obrigado a lidar com ele no nosso cotidiano.

Velharia da Semana # 7 - The Super Super Blues Band.

The_Super_Super_Blues_Band_

Adoro blues. E uma das coisas mais legais que já encontrei por aí foi a The Super Super Blues Band, que como o nome já diz é uma super mega banda.

Os integrantes? Nada menos que três lendas do blues: Muddy Watters, Howlin' Wolf e Bo Diddley.

Simplesmente algo fantástico. Não é algo muito conhecido, mas para quem curte o bom e velho blues, com certeza valerá muito a pena.

Não tenho muito o que dizer. Mas deixo um sonzinho para quem quiser ouvir.

 

 

 

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Fatos, Ressalvas e Etc.

- Meu feriado em Araxá foi conturbado.

- Tomei um monte de remédios para insônia, para que eu pudesse descansar e fiquei a maior parte do tempo dopado e dormindo. Fui atacado pela cadela de estimação da minha tia, que perfurou meu braço com os dentes. E também peguei uma gripe chata que ainda perdura. Enfim, azar pouco é bobagem! ^^

- Me sinto completamente alienado do mundo e de todo resto. À excessão de um filme que vi na madrugada de sábado, não fiz nada de interessante. Além de não ter visto tv, ouvido rádio, lido algum jornal ou revista. Será que vou conseguir me reinserir à civilização?

- Ah... na verdade acabei vendo um filme sobre Jesus também. Achei interessante e mudei um pouco minha perspectiva das coisas. Ainda não sou cristão, mas acho que pelo menos se as pessoas seguissem um bocado das coisas que ele pregava o mundo seria melhor. O problema são essas religiões e a forma com que as pessoas sempre distorcem tudo o que há de bom nelas. :p

- Abraços! E bom início de semana .

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Sobre Filmes e Narrativas .


Sempre fui um apaixonado por filmes com formas interessantes de narrativa. E um dos que mais me marcaram no que se refere a isso foi Irreversível.

Filme tocante em que os eventos são contados quase que ao reverso. Tudo começa com um dos personagens buscando por vingança. O motivo? Alguém estuprou e desfigurou sua namorada (Monica Belucci).

O momento do estupro (uma cena hiper-polêmica por dura cerca de 9 minutos) é uma espécie de ponto crucial do filme, porém nada termina (ou começa?) nessa cena. Pois, também são articuladas todas as ações que levaram ao incidente.

O final (que não vou contar para não estragar o prazer de quem quiser assistir) é belo e surpreendente e ao mesmo tempo angustia e sufoca quem o vê.

Além disso, podemos ver Monica Belucci que nos oferece um espetáculo para os olhos nos brindando com sua beleza e uma ótima e sensível atuação.

Considero Irreversível, juntamente com outros filmes que também usam abordagens desvinculadas de uma progressão linear do tempo, indispensável para alguém que se propõe a escrever de maneira séria. Romper com formas de espaço-tempo tidas como consolidadas e impassíveis de serem modificadas é algo que um escritor original deve tentar buscar. Afinal, já foi o tempo da construção literária marcada pelo “início, meio e fim”.

Como seres humanos somos sensíveis aos acontecimentos e em nossas mentes as experiências não estão colocadas necessariamente sob seqüências cronológicas. Deste modo a cronologia é apenas uma referência para contextualização e não uma camisa-de-força que prende toda a criatividade que uma narrativa pode ter.

Sei que é difícil romper com isso no que se refere à produção intelectual e artística, pois somos orientados a pensar assim desde a infância. E até mesmo para quem se propõe a fazer tal coisa é algo complicado. No cinema, por exemplo, filmes desse tipo acabam sendo jogados a um segundo plano atrás de outros com narrativas e linguagens, digamos, mais comerciais.

Porém, a verdadeira arte é inovação. Não se faz somente para agradar, nem para ser mais palatável ao gosto e senso comuns.

E mesmo que diminuto sempre têm público aberto a isso. Talvez para a grande maioria seja melhor assistir mais um blockbuster sangrento ou idiota e que não vai lhes acrescentar muita coisa. Mas também há muita gente que acredita que há algo mais interessante. Prefiro assim. xD




Fatos e Ressalvas:


- Neste feriado viajei para minha cidade: Araxá.

- Provavelmente só postarei a Velharia dessa semana no domingo à noite, pois estou sem pc lá.

- Escrevi o texto no intervalo para almoço que tenho no trabalho. Relevem se eu tiver escrito alguma besteira.

- Dias atrás um sem-teto me abordou na rua. Daí a gente começou a trocar uma idéia. Ele então me convidou para visitá-lo no prédio que mora, que por sua vez é uma construção abandonada. Tem coisas que só acontecem comigo. Rsrs.

- Eu ainda insisto em colocar o fone desligado na orelha. Pior: ontem o coloquei desconectado.

- Não sou cristão, mas desejo boa páscoa para todos.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Nada frágil .

Aviso: texto comprido e chato.

mulheroperária

Créditos pela imagem: michal_radassah

Seus olhar se perdia em meio às ruas e casas pelos quais seu ônibus passava. Este, por sua vez, se dirigia sempre pela mesma rota e no mesmo horário. Eram raras as vezes em que o motorista conduzia o carro mais rápido ou mais lento e chegava adiantado ou atrasado.

As pessoas que via pela janela também pareciam sempre iguais e no mais das vezes suas ações tinham um aspecto muito parecido com o que ocorrera no dia anterior. No entanto, ela observava aquilo com os olhos tão vivos que parecia ter sido a primeira vez que via todos aqueles movimentos humanos.

De certo modo já até sentia um pouco íntima de algumas das pessoas que admirava. Lá estava sempre a velha senhora a varrer a parte da calçada ficava em frente a sua velha casa. Tinha também o garoto de uns treze anos que quase todos os dias ficava de namoro com a garotinha de sua idade mais ou menos antes que soasse o sinal para que entrassem na escola. Um senhor com seu radinho de pilha, invariavelmente estava a ouvi-lo, sentado numa cadeira que sempre colocava próxima a uma árvore, que ela não sabia de que era, mas achava lindas as flores que por entre as folhas emergiam.

Paula, o nome de nossa observadora, sentia que tudo aquilo era dotado de energia e como tal seria interessante absorver aquilo. E era assim que fazia. Pois aquelas cenas ficavam guardadas em sua mente e lhe davam um certo otimismo para viver mais um dia conturbado como todos os outros.

Ela trabalhava numa fábrica de peças. Por vezes não era vista com bons olhos por alguns companheiros que achavam que aquilo não era lugar para uma mulher. “Onde já viu?! Desde quando mulher entende algo de mecânica?!” – Dizia um velho que ali trabalhava comentando para alguns de seus amigos também muito preconceituosos. Depois disso a apontava, de modo nada discreto, e dizia: “Pelo menos ela é gostosinha. Eu me divertiria bastante com ela! E vocês? Também transariam com ela?”. Em seguida em meio a muitas risadas alguns afirmavam que sim, outros apenas a observavam com olhos que chegavam a faiscar, tamanho o fogo despudorado que havia dentro deles.

Paula tinha formação como técnica em mecânica e era uma espécie de supervisora da linha de produção da empresa. Por vezes chegava a falar com Pedro, seu superior imediato, sobre a forma pela qual era discriminada dentro de empresa e pedia para que ele conversasse com os funcionários a respeito disso. Pedro sempre dizia que ia conversar com os funcionários ou até que já tinha conversado, mas apenas com o intuito de acalmar a moça. Ele havia trabalhado no mesmo lugar que aqueles trabalhadores antes de galgar degraus na empresa e sabia muito bem que ali imperava um grande machismo. Sabia assim que não adiantaria muito se fosse reuni-los e pedir que a respeitassem mais. Achava que talvez ficasse até pior, pois poderia ofender alguns que julgava como não merecedores de ouvir algo assim.

De certo modo estava até bem certo, pode se dizer. As pessoas costumam ter algum respeito pelas outras apenas quando as vêem sobre o pedestal da superioridade. Na verdade diria que isso não é nem bem respeito, beira muito mais o temor.

Paula era bonita, tinha aspecto frágil e também não era do tipo que ficava a ameaçar seus subordinados. Levava tudo aquilo como uma provação e acreditava que ainda ia conquistar a consideração daqueles com quem trabalhava.

Porém, aquele mesmo velho e um outro rapaz seguiam a importuná-la. Sempre faziam comentários maldosos com os outros funcionários, ficavam de cochichos e risinhos enquanto ela passava, além de sempre se recusarem a cumprir suas orientações.

Um dia ela chegou já meio entristecida na empresa. Uma série de problemas em sua casa estava lhe incomodando. Sua mãe encontrava-se doente e o médico ainda não tinha sido capaz de indicar o problema. Além de tudo enquanto vinha no ônibus, notou que havia um grupo de pessoas na casa da senhora que sempre varria a calçada no mesmo horário. Como a porta estava aberta pôde ver por entre aquelas pessoas uma parte de um caixão ao centro da sala. Logo já imaginou que seria a velhinha. Sentiu-se ainda mais triste. Tanto pela mulher que sempre via ali e sentia uma certa intimidade, quanto pelo medo de também perder a sua mãe a qualquer momento. Naquele dia também não viu o casalzinho enamorado ou o senhor com seu rádio de pilha. Era ainda um dia nublado, daqueles que a gente não costuma ficar muito animado com as coisas.

Já na fábrica o velho e o rapaz, após pedir que executassem um trabalho teriam mais uma vez se recusado a fazê-lo. Além de a ridicularizarem, proferido vários de insultos, além de dizerem coisas que gostariam de fazer sexualmente com ela.

Paula já muito chateada com os dois lhes disse que estavam demitidos. Estes continuaram rindo enquanto ela se dirigia à sala do diretor da empresa para solicitar as suas respectivas demissões. Eram dois funcionários eficientes e não acreditavam que poderiam ser tirados dali por aquela “mulherzinha”.

No entanto, o diretor os chamou e lhes disse que haviam passado dos limites e que se quisessem poderiam até cumprir o restante do dia, mas que por sua vontade era melhor que saíssem de lá imediatamente e só voltassem à empresa para assinar os documentos para suas respectivas demissões.

O velho então saiu da sala aos berros usando todo o seu repertório de xingamentos com o seu jovem amigo ao lado, que por sua vez encontrava-se mais com expressão mais desolada por conta da perda do emprego. Paula ficava ali apenas olhando tristemente para tudo aquilo. No entanto, se estava chateada com a situação sabia que estava fazendo algo correto, pois já estava consciente de que não devia se deixar submeter a todo aquele preconceito que rondava pela fábrica.

Porém, para gente de má índole, como era o caso do velho, essas coisas não ficam apenas encerradas. Ele queria vingança. E chegou a chamar seu amigo para que um dia armassem uma emboscada e abusassem da moça. O jovem, que apesar de também ser um tolo machista, entretanto ainda tinha algo de bom e prontamente se recusou. Achava algo assim inadmissível. E começou a tentar acalmar a cólera de seu companheiro. Entendia que ele só pensava naquelas coisas por causa da situação que era tão imediata e que logo isso passaria.

O velho, que era bastante astuto, deixou então ele pensar que assim era. E até se despediu do outro agradecendo por ter tirado aquelas idéias de sua cabeça.

Traiçoeiro que era, já ao virar a esquina já estava articulando o que ira fazer. Era uma quarta-feira, dia que Paula ficava trabalhando até mais tarde na empresa, por conta de uns relatórios semanais que sempre tinha que entregar no dia seguinte. O velho sabia disso. E se dirigiu por volta das oito horas para a fábrica. Ele conhecia lá muito bem e conseguiu entrar ali dentro sem que a vigilância visse. Esgueirou-se então para um canto escuro que dificilmente o veriam ou o que quer que fizesse. Sabia também que obrigatoriamente ali seria caminho de Paula quando estivesse deixando seu escritório.

Quando ela se aproximou o velho já foi a segurando pelas costas e começou a falar para que ficasse calada, pois ia fazer um “servicinho” pelo qual insinuava ela estar sedenta. Paula, no entanto era mais jovem e mais ágil e conseguiu acertar as partes baixas do homem com o calcanhar. Este por sua vez se afastou gritando de dor e retornou para tentar agredir a jovem.

Ela então passou a mão numa bancada ao seu lado e pegou uma chave de fenda que sabia que por ali costumava ficar. Era uma ferramenta com a ponta afiada, devido à função com que era empregada. E quando o velho já estava praticamente a seu encontro ela acabou espetando sua barriga. Ele então caiu no mesmo momento em que os vigias que ali chegavam, muito tensos depois de terem ouvido toda aquela barulheira..

Chamaram uma ambulância que o levaria para o hospital. Mas já era tarde, ele ia morrer no caminho por causa da quantidade de sangue perdida.

Paula ficou profundamente entristecida com tudo aquilo. Era boa pessoa e não merecia passar por acontecimentos tão bizarros. Porém, mesmo com aspecto frágil tinha uma personalidade forte e apesar de ter demorado alguns meses, conseguiu superar. Também acabaria justamente sendo absolvida das acusações de homicídio uma vez que havia sido um caso de legítima defesa e a própria morte quase que um acidente.

Pouco tempo depois de tudo se acertar, também já estaria de volta ao trabalho para a mesma função que fazia antes. Só que as mudaram. Agora parece haver algum respeito dos funcionários por ela. Pelo menos não questionam suas orientações ou fazem aquelas piadinhas de profundo mau gosto.

Ela se vê satisfeita por isso, mas envolvida em seus pensamentos enquanto está sentada num banco daquele velho ônibus que a traz todos os dias para o trabalho, sempre acaba se perguntando: “Será que o que eles têm é medo?”.

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Fatos:

- Acho que fiquei inspirado para escrever isso aqui depois de ver o filme "A classe operária vai ao paraíso" do diretor italiano Elio Petri.

- Sou doido! Estou com o fone na orelha sem ouvir nada.

- Deu um trabalhinho para achar imagens legais para colocar na postagem, mas consegui. Espero que tenham gostado também.

- São 1:40 da manhã e tenho que acordar as 6:00, pois tenho que fazer estágio numa escola antes de ir trabalhar.

- Estou sem sono para variar. Que coisa não?

mulheresfabrica

Créditos pela imagem: Seattle Municipal Archives

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domingo, 5 de abril de 2009

Velharia da Semana #6 (Álbum Musical: Loki - Arnaldo Baptista / Filme: Mephisto)

Pois bem. Como semana passada eu não consegui postar a "Velharia da Semana", por estar envolvido com o projeto do Lado B (novo blog que participo), hoje trarei aqui dois trabalhos que considero geniais.

O primeiro é o álbum Loki do Arnaldo Baptista, gravado em 1974. Ex-líder dos Mutantes, ex da Rita Lee e talvez o artista mais genial do rock nacional (apesar de ser geralmente bastante injustiçado e não tão reconhecido quanto deveria ser).

front

Capa de Loki. Clique para ver a imagem ampliada.

Faz um bom tempo que conheci e me tornei  fã dos Mutantes, antes mesmo de ter começado essa "ondinha de festins" sobre eles, em especial nos meios universitários. Mas, confesso, mesmo tendo sempre ouvido falar, que só fui ouvir este trabalho do Arnaldo por esses dias agora.

Também não tive a oportunidade de ouvir os trabalhos dele solo ou com a banda Patrulha do Espaço. Porém, acho que já ouvi Loki umas trinta vezes ou mais, e é uma das coisas mais lindas que já entraram pelos meus ouvidos.

Gravado meio que às pressas, por um artista cheio de problemas pessoais e parecia querer se expressar o mais urgentemente, reflete sua angústia e sua genialidade. Destaque para o piano de Arnaldo e para o fato de que quase todas as músicas não usam instrumentos de cordas (à excessão da última faixa "É fácil", que é usado um violão de 12 cordas, tocado pelo próprio Arnaldo). Além, é claro das letras que além de serem lindas, são muito pessoais e representam o momento conturbado que ele vivia, em especial devido às drogas e ao fim dos Mutantes e do casamento com Rita Lee.

Como eu sou um cara muuuuito legal vou deixar aqui as faixas do álbum para quem se interessar, além de uma amostrinha para vocês ouvirem enquanto falarei de Mephisto.

Faixas do Álbum:

1. Será Que Eu Vou Virar Bolor?

2. Uma Pessoa Só

3. Não Estou Nem Aí

4. Vou Me Afundar Na Lingerie

5. Honky Tonky

6. Cê Tá Pensando Que Eu Sou Lóki?

7. Desculpe

8. Navegar De Novo

9. Te Amo Podes Crer

10. É Fácil

Ouça: Será que Vou Virar Bolor?

 

 

Agora vamos a Mephisto. Apesar de nem considerá-lo um filme tão "velharia" assim (é de 1981), não poderia deixar de falar dele, já que é um dos melhores sobre o nazismo que pude assistir.

mephisto

Mephisto. 1981. Clique para ver ampliada.

É ainda uma crítica à alienação e ao alheamento político. A história do filme é mais ou menos assim:

Durante o período entre a Primeira e a Segunda Guerra, um ator de teatro que não tem uma grande convicção política constrói sua carreira até o momento em que o Nazismo ascende na Alemanha. Com o tempo ele se tornará o artista mais apreciado em todo o país e tidos como um dos exemplos para o regime.

O que ocorre é que com isso é constantemente obrigado a abdicar de pessoas que ama e de algumas de suas poucas convicções políticas. Sua esposa, por seu passado ligado a esquerda é obrigada a se refugiar na França. Sua amante, por ser negra, também é obrigada a sair do país, por imposição das autoridades nazistas que diziam que aquilo poderia manchar a reputação do regime e do próprio artista para com a sociedade.

Mephisto foi produção conjunta entre Áustria, Hungria e Alemanha e foi dirigido por István Szabó. O nome é uma alusão ao personagem Mephistófeles, o demônio que compra a alma de Fausto no clássico de Goethe[disponibilizada on-line nesta página do site da UFSC]. No filme, interpetando Mephisto é que o personagem principal do filme iria ver sua carreira se consolidar.

E então é isso. Assistam se possível, porque é um filme excelente, tanto na sua estética, pelas brilhantes atuações e também pela belíssima fotografia.

Por hoje é só. E quem puder, dê uma passadinha amanhã no Lado B, pois é meu dia de postar. Abraços!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Olhos .

Meus olhos são bem tristes

Não tristes de uma tristeza mórbida

Daqueles que sempre tristes querem ser

Pois um ar doce têm e parecem até saber

Que doente é quem não quer ser feliz.

E se resguarda por sob as sombras

E delas parece ter até medo de sair.


Já meus olhos são ternos e cheios de fé.

Contemplam o horizonte e as estrelas

Mas opacos ficam perto dos meus sorrisos

Que os ofuscam e os contradizem

Por serem tão fartos e vivazes

Porém não tão ricos em sinceridade.


Não sei o que fazer, mas quero muito mudar.

E para mudar o que fazer tampouco pouco sei.

Perco-me a cada hora e sou todo desencontros!


Caras e bocas e olhares desconexos

Incapazes de musicarem uma boa canção.

Não são harmoniosos, tampouco agradáveis.

São mais do tipo incômodos e trágicos.

Feitos a uma opereta ruim que canta as trevas

Tingem de preto o céu azul do bom humor

E fazem fiapos das nuvens felpudas de algodão.


Um dia, entretanto, espero que se sintonizem.

Como numa utópica fusão de ondas de rádio

Feita de ondas curtas, longas e médias.

Não mais isoladas no espaço e no tempo

Mas todas uma só, numa só frequência.


Numa mesma estação muitas vozes e sons

Serão possíveis de serem ouvidos

Mas eles não são nada desarticulados.

São bem entendíveis é bom dizer...

Parecidos a um organismo saudável

Em que as funções das mais diversas

Fazem-se não por individualismos tolos

Mas por um todo que não é de um só.


E como o humilde passageiro fica a esperar

O trem que em sua hora nunca vai passar

Olhando aqueles trilhos a perder de vista.

Fito o vazio com olhos cheios de esperança

Bem como o náufrago fica sempre a observar

Solitário numa ilha esperando a nau chegar.


A incerteza existe e trás certa amargura

Mas ela se refere apenas ao momento

Pois a chegada vejo como muito certa

O que me faz um tanto cheio de mim

Para aguardar a grande transformação.

E assim seguirei totalmente em segurança

Em minha condução para a própria paz.


E nesse instante quem mirar em minha face

Verá enfim um doce valsar de seres celestes.

E no lugar do arranjo todo descompassado

A orquestração mais bela feita à fina flor.

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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Democracia?

democracia

Créditos pela imagem: mataparda

Democracia: palavra que advém dos radicais gregos demos (povo) e kracia (governo). Deste modo significaria algo como “o governo do povo”. E é com tal premissa que tal conceito é divulgado e se perpetua na forma com que a sociedade acaba por concebê-la.

No entanto, possuo um profundo ceticismo com relação a ela. Tanto mais com relação à forma com que vêm se articulando as instituições democráticas em nosso país.

Evidentemente há de se considerar que a democracia em nosso país ainda encontra-se num processo de consolidação. Como é bem sabido, as instituições democráticas brasileiras são de tempo recente. Excetuando-se um leve entrecorte entre os anos de 1946 e 1964, mas mesmo assim se dando de forma bem enfraquecida, bastante populista e com grandes contradições, remonta ao pós-ditadura militar.

No entanto, mesmo com tão breve história não foram raros os escândalos envolvendo partidos e seus políticos após receberem o “voto de confiança” para representarem a sociedade brasileira. Já o primeiro presidente Fernando Collor sofreria o impeachment por praticar corrupção. Em tempos mais recentes o Partido dos Trabalhadores, que sempre levantou a bandeira da “não-corrupção” e da luta pelo povo, estaria envolvido em um amplo esquema envolvendo suborno que objetivaria o apoio de certos parlamentares para viabilizar a aprovação de determinados projetos.

A meu ver, o grande problema da democracia representativa e a forma como ela se articula em nosso país é o fato de que ela se efetiva nada mais, nada menos como um sistema que privilegia a manutenção das classes dominantes* no poder.

Alguns refutarão tal hipótese alegando que atualmente temos um presidente que advém das camadas populares e que em seu governo há uma série programas voltados à classes mais desprovidas. No entanto, creio que pelas próprias condições em que esta fundada nossa sociedade, que o atual governo do presidente Lula foi pouco capaz de atenuar as contradições sociais de nosso país. Há a aprovação população, a maior da história segundo as pesquisas, mas ela se fundamenta muito mais no sucesso das políticas assistencialistas (que não melhoram de fato a posição social dos pobres e apenas reforçam sua dependência) e numa satisfação devido a uma razoável melhoria das condições econômicas da pessoas em geral, mas que nada mais é do que resultado do fortalecimento das empresas e do capitalismo brasileiro. O pior é que diante da crise mundial, mesmo com alguns prognósticos de certo modo positivos à economia brasileira, há um enorme risco de que as classes trabalhadoras sejam as mais “penalizadas” em conseqüência de seus efeitos. O que já vem ocorrendo, principalmente àqueles empregados por empresas multinacionais aqui estabelecidas.

Voltando ao tema em questão, ainda acredito que nosso sistema que se diz democrático há uma série de falhas e lacunas. Nem tanto como se projeta legalmente, mas como se dá de forma real. É muito bonito quando lido a partir dos instrumentos legais que o legitimam. Mas chega a cheirar a mais pura hipocrisia em sua forma prática.

O que vemos no mais das vezes? Vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores e até presidentes nenhum pouco comprometidos com os problemas reais da população e menos interessados ainda em resolvê-los. Sua retórica utilizada principalmente em tempos eleitorais remonta a mais pura demagogia (que defino como a arte de enganar o povo). A atitude desses senhores é bem expressa nas palavras do filme brasileiro Terra em Transe, quando é dito (não exatamente com as palavras a seguir) que: “O político, quando eleito, não cumpriu as promessas do candidato”.

Ou seja, sempre vemos um enorme distanciamento entre o que é prometido e o que se dá na práxis política de nossos governantes.

Sei que, que alguns que vierem a ler isso aqui, dirão coisas tais como: “melhor a democracia de hoje, que proporciona certa liberdade, do que a ditadura militar”. E concordo plenamente com relação a isso. Mas não concordo que devemos assumir tal postura, que para mim, beira o conformismo.

Até mesmo em relação à liberdade há uma série de restrições. E de certo modo, mesmo que não institucionalizadas legalmente, ocorrem no dia-a-dia das pessoas e em certos termos com a conivência das instituições democráticas. Por isso, ainda hoje se tem o espaço para que se prolifere a intolerância e o abuso da própria democracia. Por isso a democracia não é ainda o governo que faz valer a voz do oprimidos. Por isso não é o sistema capaz de que sejam verdadeiramente ouvidos os negros, nordestinos, operários, homossexuais e outros grupos tão discriminados socialmente.

Por fim, ressalto que creio piamente nos valores básicos da democracia. Que muitos mais do que uma "ditadura da maioria" seria uma forma de governo onde as diversas opiniões e posições de um sociedade deveriam ser lançadas de um modo em que a decisão não se desse pela diferença, mas pela convergência.

E neste ponto defendo mais que nunca a tal democracia. O que não infere que eu acredite que a forma como ela é praticada seja realmente isenta de problemas ou que estes não possam ser resolvidos. Ou que simplesmente, aceite a forma com que a democracia venha se tornando a cada dia mais banalizada ou transformada num palco de disputas mesquinhas de grupos que estão no poder. Quem se lança à candidatura para representar um segmento não deve ter colocar interesses pessoais ou partidários acima das reivindicações de seus eleitores. Mas é o que ocorre... E muito disso é resultado da própria sociedade que permite que a podridão de certos políticos venha a se manifestar.

Acredite. Qualquer pessoa pode ter uma ação política real. E isso não implica que se deva ser político profissional. Basta não fechar os olhos para os problemas, que não sãomeras ilusões e estão bem diante de nós.

Bom. Já falei demais... Melhor lançar a pergunta: O que é democracia para você?

* Uso o termo “dominante” com certas ressalvas. A “dominância”, sob minha perspectiva, representa também uma inter-relação entre aquele que é tido como “dominante” e o “dominado”. O “dominado” acaba por se sujeitar à dominação imposta em muitos aspectos. O que não exclui a hipótese de que ele venha também articular a defesa de seus interesses contrapostos em relação aos daqueles dos que estão em posição inversa. Dominância deste modo não implica simplesmente em sujeição ou passividade, mas num processo em que o “dominado” também é sujeito de suas ações.



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